terça-feira, 16 de outubro de 2012

Contos de Fadas



IN LOCO

VI

Kaique parou, não podia deixar de observar que sua esquizofrenia estava pedindo para que ele a libertasse. Em nenhum momento deixou de olha-la nos olhos, aqueles olhos... Não havia como ele imagina-los, deveriam ser reais, tinham que ser. Mas não respondeu nada. Forçou-se a piscar, tentando limpar sua visão.

- Não posso. - Disse por fim. - Não posso, não acredito...- Engoliu em seco e se calou novamente. Desviando seu olhar do dela, encarou o chão. Silêncio. A lua já havia caminhando parte de seu caminho e a luz não mais iluminava a garota, mas seus olhos ainda se viam, grandes e sós. Mas ele perdera a coragem para olha-los, estava com vergonha, de si mesmo. Mas não entendia o porquê. Silêncio. Ele pensava que devia ajuda-la, mas é claro, pensou ele, se eu ajudo minha alucinação a sair provavelmente deixarei de vê-la, sim, claro! Começava a ergue-se para voltar a olha-la, mas não tinha certeza se valia a pena liberta-la, se fosse implicar que ela sumisse... Silêncio. Ele não queria deixar de vê-la, tampouco queria conversar com algum truque sacana de seu cérebro sequelado. Ou pior, se apaixonar por esse truque. Silêncio.

Na rua um vento frio, calmo e ainda assim, forte, roçava seus tênis sujos, zumbindo em seu ouvido o primeiro som em algum tempo. Levantou o rosto, mas nada de lua, nada de rua, nada de casa, nada de nada. O que quer que tenha sido foi embora.

Kaique então se arrependeu de não olha-la. Sua bolsa estava aos seus pés, no meio da rua que seguia horas atrás. Mas para onde iria não importava mais, o que importava era que queria voltar. E voltaria, assim que o dia lhe desse a chance. Até lá beberia, sem voltar para casa. Sua casa agora era numa rua sem saída.


Continua...

Nenhum comentário:

Postar um comentário