IN LOCO
II
Ele parava sempre para observar a sensação que sentia ao passar por aquela casa no fim de uma rua sem saída e sem mais nada. Todos os dias passava por ali, as vezes tinha a impressão de ser o único a saber da existência do local mal assombrado. Era assim que a via, mal assombrada. Por vezes teve a impressão de que a casa respirava, tremula e latejante. Como a chama de uma vela que segue a respiração de um inquilino asmático Seguiu em frente, como sempre fazia depois de seus minutos de contemplação no inicio do beco. Pensou que talvez hoje devesse arriscar um pouco a vida inútil que tinha e se aproximar mais.
Ele parava sempre para observar a sensação que sentia ao passar por aquela casa no fim de uma rua sem saída e sem mais nada. Todos os dias passava por ali, as vezes tinha a impressão de ser o único a saber da existência do local mal assombrado. Era assim que a via, mal assombrada. Por vezes teve a impressão de que a casa respirava, tremula e latejante. Como a chama de uma vela que segue a respiração de um inquilino asmático Seguiu em frente, como sempre fazia depois de seus minutos de contemplação no inicio do beco. Pensou que talvez hoje devesse arriscar um pouco a vida inútil que tinha e se aproximar mais.
Deu um meio passo. Mas hesitou. Como quem nunca houvesse sequer pensado em fazer um caminho diferente, seguiu seu rumo em direção ao sol de final de tarde. Em direção a sua casa. Parou, pois se lembrou de que sua vontade de ir pra casa não superava em nada a vontade de ousar e se aproximar do final daquela rua sem saída. Deu meia volta, cheio de coragem e com a mochila pendurada em um dos ombros, se direcionou com o olhar atento a janela, pois mesmo depois de tanto olhar para a mesma casa, nunca havia se dado conta de que não havia porta. Apenas um esboço, de onde deveria ser.
Largou sua mochila descuidadamente no chão e levou o rosto com cuidado para perto da janela, onde procurou ver o que la dentro se escondia. Mas as grades o impediram de poder ver melhor. Grades, pensou ele, porque haveria grades numa casa sem porta? Tentou diferentes ângulos e alturas, mas nada parecia ajuda-lo a ver alem do que já havia visto, ou seja, nada. Então reparou numa luz, aquela que parecia respirar como uma vela. Tirou seus cabelos de seus olhos, e apertou a vista para tentar enxergar, com medo e sem se dar conta, Kaique grudou seu rosto na grade e deixou que sua respiração acompanhasse o ritmo da casa por uns instantes. Ate que se desse conta dos grandes olhos verdes que o encaravam de dentro do recinto mal iluminado. No susto se jogou para tras, caindo a uma certa distancia da janela, seu coração saltava em plena adrenalina. Sem mais olhar diretamente para a casa, ele agarrou sua mochila e saiu.
Continua...
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