sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Contos de Fadas

IN LOCO
VIII

O dia subia lento e preguicento, assim como seus olhos sedentos dos olhos do fim da rua. Ele havia dormido em um banco na praça não muito longe do local onde ele via a casa. Por alguma razão tinha medo de se afastar demais dali. Olhou em redor, ainda era bem cedo, vasculhou sua mochila procurando por algum resquício de qualquer comida, havia uma barra de cereal meio mordida, e que não cheirava muito bem, alem de o que devia ser o resto de algum sanduíche histórico. Resolveu não arriscar.
 Meteu as mãos nos bolsos e contou quanto tinha. Levantou-se depois de bocejar e seguiu ate uma pequena padaria, onde comprou um misto quente e bebeu um achocolatado. Comprou algumas barrinhas e as enfiou na mochila, pegou seu troco e o jogou dentro do bolso de trás. Seguiu andando com a vista meio turva pelo sol, seus olhos nunca se acostumaram com a luz do dia. 

 Kaique andava distraído e não se deu conta de que seus amigos estavam na esquina que se seguia, e foi parado por eles. Perguntaram-no o porque de não ter ido ao encontro deles duas noites atras. Duas noites atras? Perguntou para si mesmo. O tempo que parecia não ter passado, havia ido embora e ele nem seque sentira isso acontecer. Foi difícil explicar seu desaparecimento, mas eles não se interessavam de verdade nas razoes, apenas queria ter certeza que ele ainda era parte do grupo, para seu
próprio bem. A confiança foi restabelecida e Kaique seguiu seu caminho. Sem lugar certo para ir.

Devia começar por onde conhecia, por onde sempre fora a casa. Mas la agora não passava de uma rua sem nada.

Sem casa para ir, ou casa para voltar. As ruas não pareciam atrair suas atenções agora, estava cansado das ruas cinzas daquela cidade, queria aqueles olhos verdes na lua azul. Um tanto poético demais para ele, mas de fato, sentia a poesia.

Continua...

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