quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Contos de Fadas


IN LOCO
 
VIV
 
Aiyra acordou suando. Estava quente. Não pior: Estava fervendo! Era como se a casa estivesse pegando fogo,mas sem chamas. Aiyra sentia seu corpo queimar, e no entanto nenhum machucado era exposto. Tentou respirar, mas a cada tragada de ar era como se respirasse fumaça. Tossiu. Tossiu compulsivamente.
Iria morrer.
Estava se consumindo. Por que ela existia mesmo?
Era esse o seu fim?
Ser jogada nos portões do inferno e queimar em suas chamas invisíveis?
Por que? O que fizera de errado?
Começou a convulsionar, e em meio ao negro que cobria seus olhos tentou levantar-se da cama. Tentou chegar a mesa onde havia água.
Levou um copo de barro aos lábios.
Aos poucos o calor foi passando.
As chamas foram cessando.
Aiyra se acalmou.
Onde estava toda aquela neve? O frio não estava mais presente. Mas por sorte o calor também tinha passado.
Olhou para a janela gradeada. Um lobo surgiu diante das árvores que não possuíam mais nenhum pingo de neve.
Ela olhou para seus olhos amarelos e foi como se houvesse ali, naquele instante, uma comunicação muda. O lobo sabia de seu infortúnio, e sabia também o que fazer para salva-la de si mesma. Salvar sua alma de cometer o suicídio fervente.
Em um piscar de olhos ele desapareceu no bosque, deixando uma Aiyra nervosa e cheia de expectativas no parapeito da janela.

Continua...

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